"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO 6


    Aos alunos costumo dizer que vivemos dentro de um livro vivo de Arquitetura, à cores, 3D, gratuito, sem contra-indicações, não engorda nem dói seu manuseio.  E Cuiabá e Mato Grosso tem muito a nos encantar e ensinar em termos de arquitetura, Basta passear pela cidade e pelo nosso estado, registrar em fotos, tirar uma selfie e arquivá-las no computador. Tentando ajudar os estudantes, profissionais ou simples amantes da Arquitetura seleciono em uma série semanal importantes projetos arquitetônicos e urbanísticos localizados em Mato Grosso, pouco reconhecidos pelo público local.

6 - CIRCUITO CARLOS BRATKE

     Durante as décadas de 1980 e 1990 Cuiabá teve a oportunidade de receber um conjunto de projetos do importante arquiteto paulista CARLOS BRATKE, falecido no último dia 9 de janeiro aos 74 anos. Em sua homenagem destaco o conjunto de sua obra na capital mato-grossense através de 6 dos mais expressivos desses seus projetos.  
     Àqueles que se interessarem, peço que votem no projeto que considerar mais significativo, aqui mesmo no blog no espaço para comentários, ou pelo face ou mesmo por e-mail. A ideia é fazer uma ordem de disposição das fotos conforme  a votação.   

Gênesis
Foto José lemos 2017



















Domus Aurea

Foto José lemos 2017

Domus Nobilis

Foto José lemos 2017


Palladium
Foto José lemos 2017

Terra Solis
Foto José lemos 2017

Centrus Tower (comercial)

Foto José lemos 2017


5 - ARMAZÉM OLIVEIRA  
     
     Perdida no meio do burburinho de automóveis, ônibus e pessoas da cidade de Cuiabá que cresceu, lá está meio escondida a pequena joia o ARMAZÉM OLIVEIRA, no cruzamento da Rua Joaquim Murtinho com  a Avenida Generoso Ponce (começo da Isac Póvoas a partir da Prainha). 

Foto José Lemos 2017

     Em um terreno de cerca de 140 m² o edifício de uso misto em 2 pavimentos (no nível superior residencial e comercial no térreo) teve sua construção iniciada em 1949 e concluída em 1950, por iniciativa do proprietário do lote, senhor RAYMUNDO PEREIRA DE OLIVEIRA cuja família continua preservando às suas expensas,  para a cidade e para o estado o importante patrimônio cultural da família.  Apesar de, segundo a família, ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico, até hoje não recebeu qualquer ajuda ou incentivo oficial. Hoje é cuidada pelo neto do construtor,

Fachada da Rua Joaquim Murtinho - Foto José Lemos 2017

     Projetada  já ao final do apogeu da vertente MODERNISTA denominada ART DECO, pelo arquiteto alemão FREDERICO ORLAS e seu sócio o engenheiro civil lembrado apenas como sr, OLIVEIRA, trata-se de uma excelente síntese  das principais características deste estilo, cuja maiores expressões no mundo são o EMPIRE STATE BUILDING e o CHRYSLER BUILDING, ambos em Nova Iorque.  Valorização das entradas e esquinas e ornamentação destacando linhas e planos retas horizontais e verticais com inspirações mecânicas e aerodinâmicas, simetria, integração de Arquitetura e Design, 


Letras características do estilo  - Foto José Lemos 2017

Segundo o proprietário construtor nela foram usados tijolos comuns à tição e teria sido a primeira obra "particular" com estrutura em concreto armado em Cuiabá.



Detalhe da ornamentação - Foto José Lemos 2017


Esta postagem baseou-se em trabalho acadêmico da disciplina HISTÓRIA E TEORIA DA ARQUITETURA E URBANISMO da FAU - UNIC CUIABÁ, sob minha responsabilidade, realizado pelas então alunas
MARCIANA WIEGERT e ROSIANE CARRASCOZA, com informações buscadas em entrevista com o sr. Raymundo.


4 - EDIFÍCIO MICHELLE CLER 

Projeto de 1988 (ano de aprovação na Prefeitura) do arquiteto e urbanista MÁRIO BOCCARA, trata-se de um edifício residencial multifamiliar localizado em Cuiabá, MT, no Bairro Araés. Maiores e melhores informações serão bem vindas e acrescentadas.




As imagens acima são de 2007  das então alunas do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC-Cuiabá, em trabalho da disciplina História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo III:  Fabiana Conera, Muryel Ferrer, Pricielly Barasuol e Valéria Murer.

Imagem José Lemos 2016



3 - ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT

A JOIA DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO é o ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT, do arquiteto e urbanista JOSÉ AFONSO BOTTURA PORTOCARRERO,  localizado em Cuiabá, MT, teve seu projeto iniciado em 2007 e a obra foi concluída em 2010.


ecodesenvolvimento.org

Projeto bastante homenageado nacional e internacionalmente recebeu o certificado BREEAM (Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method ) de sustentabilidade, e foi considerado o edifício mais sustentável em uso na América Latina. 



feiradoempreendedorpb.com.br

Visitado por empresários e estudantes de arquitetura em 2012 recebeu estudantes de arquitetura do Instituto Federal Suiço de Tecnologia de Zurique, tradicional instituição suíça fundada em 1854. 


belicosa.com.br

Para informações sobre visitas acesse o link http://www.espacodoconhecimento.org.br/?page_id=23




2 - PALÁCIO ALENCASTRO

A próxima joia é o PALÁCIO ALENCASTRO, em Cuiabá, 1960, projeto dos arquitetos BENJAMIN DE ARAÚJO CARVALHO  e  KARL SASS.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Uma autentica aula de Arquitetura Modernista, versão reduzida em andares do famoso Ministério Da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, de Le Corbusier e Niemeyer, contem os 5 pontos determinados pelo mestre francês para sua arquitetura funcionalista: PILOTIS, PLANTA LIVRE, FACHADA LIVRE, JANELAS ALONGADAS e TETO JARDIM, incorporando também os BRISE-SOLEIL.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

O edifício abrigava praticamente toda a estrutura da administração estadual, bem como o Tribunal de Contas do Estado, um salão para recepções, mezzanino para exposições e instalações para visitantes ilustres, dada carência da rede hoteleira na época. Hoje abriga parte da administração municipal da capital mato-grossense.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Destacam-se nas fotos a beleza do TERRAÇO-JARDIM, conceito que não pode se confundir com o atual TETO-VERDE, e a transparência dos PILOTIS em cones invertidos permitindo perpassar dos jardins do Palácio Alencastro aos jardins da então Residência dos Governadores. Um edifício que merecia ser tombado pelo Patrimônio Histórico com a maior urgência.

NOTA- Agradeço a gentileza da Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC, arquiteta e urbanista professora Paula Libos permitindo a utilização da maquete restaurada por sua iniciativa pelo estudante Gilberto Pavlovski. Sem a maquete seria impossível destacar toda a importância arquitetônica do edifício, dado seu estado de degradação, apesar de ser a sede da Prefeitura Municipal de Cuiabá.

NOTA 2- Essa maquete é a original, por isso mais importante ainda. Lembro-me lá por 1957, 58 dela exposta na vitrine da antiga Farmácia Araújo  que ficava em frente à Praça da República, vizinha à agencia da VASP, Casa Alberto e do Centro América Hotel, que ocupava os andares superiores do belo Edifício Tuffik Affi, cujo térreo era ocupado pela Loja Riachuelo. Ainda criança passava sempre por lá para admirar em maquete o grande edifício que ia ser construído em minha cidade. Com o surto de desenvolvimento trazido por Brasília, era o espírito da modernidade que invadia a cidade depois de décadas estagnada. Com ele muita coisa preciosa foi destruída como a antiga Catedral, o antigo Palácio Alencastro e o Edífício Tuffik Affi. Era a força da grana que retornava à cidade, ela que no dizer do Caetano Veloso "ergue e destroi coisas belas."  

1 - ABRIGO TAXISTAS

Foto José Lemos


      Uma série que início com o ABRIGO PARA TAXISTAS EM CUIABÁ. Embora pequena em dimensões físicas, uma das jóias mais valiosas da Arquitetura em Mato Grosso, do arquiteto ADEMAR POPPI, um exemplo da ARQUITETURA PÓS-MODERNISTA REGIONALISTA,  aquela que utiliza referências da cultura regional,  Infelizmente, a maioria dos exemplares em estado de abandono, ainda que cumprindo sua função principal de brigo para taxistas.  Este fica na Avenida do CPA, entre as lojas da Havan e do Comper, em Cuiabá,  Não fica em Paris mas merece uma visita. Posteriormente acrescentarei maiores dados.



Foto José Lemos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PRÊMIO INTERNACIONAL

 
archdaily

      A arquiteta JULIANA DEMARTINI ganhou o Premio Internacional de "Tesis de Investigación 2016, La Vivienda Social, Innovación y Tecnologia", tendo sua tese de Doutorado escolhida como a Melhor Tese de Doutorado pelo Instituto del Fondo Nacional de la Vivienda para los Trabajadores (INFONAVIT), a Universidad Nacional Autónoma del Mexico (UNAM)  e o Programa Universitário de Estudios sobre la Ciudad (PUEC). A tese denominada "Assessoria Técnica Continuada: desafios e possibilidades para Implementação de um Programa Público para as Expressões do morar" foi escolhida por um Juri formado por profissionais de alto nível (Mestres e Doutores).
     A tese foi desenvolvida junto à UFRJ e a arquiteta premiada é mato-grossense de Sinop, graduada pela UFMT, tendo sido professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Cuiabá (UNIC) e hoje é professora concursada da UNEMAT em Barra do Bugres, Mato Grosso.

Ler mais em:
http://www.puec.unam.mx/guest-book/noticias-puec/resultados-del-premio-internacional-de-tesis-de-investigacion-2016-la-vivienda-social-innovacion-y-tecnologia/570

domingo, 15 de janeiro de 2017

A SEGUNDA PROVA


campinews.blogspot.com

José Antonio Lemos dos Santos

     No artigo anterior dedicado aos novos vereadores, falei em “vaiar e aplaudir quando for o caso” os políticos e logo entre amigos surgiu o argumento muito comum de que não se deve aplaudi-los quando fazem o correto porque estariam fazendo apenas sua obrigação e ganham bem para isso. Penso diferente já que no conjunto da participação consciente do cidadão o aplauso pode ser tão crítico quanto a vaia, esta crítica como desaprovação e o aplauso como apoio. É óbvio. E os políticos precisam estar em evidência, para o bem ou para o mal, afinal, hoje no império do marketing e quando a classe é tão mal avaliada, mais do que nunca prevalece a máxima ”falem mal, mas falem de mim”. Ou não? Mas os políticos são também tipo focas, adoram aplausos, e ficar em evidência com aplauso é muito melhor, é claro.
     Aventei também que a primeira prova de fogo dos novos edis em Cuiabá seria uma firme rejeição ao aumento imoral de seus salários perpetrado na legislatura anterior ao apagar das luzes do ano que passou. Para muitos uma afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal, ou, de qualquer forma imoral dada a situação crítica de dificuldades pela qual passam o Brasil e os brasileiros. Se agride o princípio da Moralidade é também ilegal, dá no mesmo. Pois não é que como grata surpresa nesta semana a Câmara pediu ao Executivo a devolução do ato do aumento para seu cancelamento? Em um rasgo exemplar de cidadania entenderam o que toda Cuiabá e o Brasil entendem, isto é, não dá para um pequeno grupo que já ganha bem, ter seu salário aumentado quando mais de 12 milhões de brasileiros estão desempregados e outros estão a meses sem receber passando necessidades. Enfim, os novos vereadores parecem ter chegado com seus desconfiômetros ligados fazendo com que os veteranos ligassem também os seus. Viva! Palmas para eles!
     Ao vencer com brilho esta primeira prova de fogo, estaria a nova Câmara confirmando a validade da aposta dos eleitores na renovação e na esperança? Seria precipitado já acreditar em sinais de uma nova política para Cuiabá? Claro que é. Para tal a Câmara ainda terá que enfrentar muitas provas. Um leão da velha política a cada dia. E assim foi, nem bem se comemorava a primeira vitória logo apareceu outra fera. A velha legislatura que havia aprovado o imoral aumento sob o bimbalhar dos sinos e fogos das festas de fim de ano, ao mesmo tempo aprovou uma outra lei, que já foi sancionada pelo atual prefeito, criando um total 481 cargos comissionados em substituição aos anteriores 798, extinguindo 317, cerca de 40% do total anterior cumprindo recomendação do TCE para adequação às exigências da LRF. Até aí uma boa medida, mesmo que junto tenha vindo um reajuste na discutível Verba Indenizatória para R$ 4,2 por mês por vereador. Viva!
     Mas numa análise mais acurada chega-se a que cada vereador terá direito a 17 assessores de sua livre escolha por 4 anos! A maioria das secretarias da prefeitura não dispõe de um quadro desse. Pior, é assustador pensar que antes da redução cada vereador teria direito a mais de 30 assessores. Será que um vereador precisa desse tanto de assessores, mesmo os atuais 17? Ou seria só a confirmação de que na velha política, ao invés de gabinetes na verdade são montados comitês eleitorais para trabalhar por 4 anos às custas do cidadão para reeleger ou permitir novos voos aos que deveriam só bem representar o povo? É claro que o vereador precisa de assessores, mas nem tantos, e nem todos de livre provimento. Após vencer com brilho sua primeira prova de fogo, virá da nova Câmara outra boa surpresa, com uma redução ainda maior nesses números excessivos? Sim, se a cidadania continuar mexendo o doce da indignação e da cobrança. Esperar não basta.
(Publicado em 14/01/17 pelos sites NaMarra, FolhaMax, em 16/01/17 pelo MidiaNews, ...)

COMENTÁRIOS EM SITES NOTICIOSOS: 
No FolhaMax
Carlos Nunes 15/01/17
"O primeiro teste para essa nova Câmara Municipal de Cuiabá e Várzea Grande chegou rápido. Trata-se do pedido do Secretário de Cidades aos prefeitos para isenção de impostos pró VLT, onde cerca de 200 MILHÕES DE REAIS, deixarão de entrar nos Cofres das Prefeituras. Esse dinheiro ia pra Saúde, pra Educação Básica, pra Creches, e outras coisas mais essenciais para o povo. O que será que o nobres vereadores pensam disso? O caso agrava mais ainda quando o Secretário diz no mídiannews, que o VLT terá um prejuízo anual de 38 MILHÕES DE REAIS, que serão cobertos por incentivos estaduais. Em resumo: o VLT só vai funcionar se houver isenção fiscal municipal e subsídio estadual. Puxa vida, vão fazer um negócio que só dá prejuízo? Nem demanda suficiente de passageiros tem ainda, pois, segundo estimativa do IBGE, agora que Cuiabá tem 580 Mil Habitantes. Querem comparar a cidade de Cuiabá com o Rio de Janeiro - lá tem mais de 6 Milhões de Habitantes. No final começa com isenção de impostos de 200 Milhões; prejuízo de 38 Milhões, e isso cresce igual bola de neve montanha a baixo; o negócio vai acumulando e fica inviável nos próximos anos...até o prefeito ou governador futuro dizer: não tem mais isenção de imposto, nem incentivo estadual mais...aí, o negócio para. Quando contaram para um senhor bem humilde sobre o VLT; depois de matutar sobre o assunto, embaixo de um pontinho de ônibus, caindo aos pedaços, da periferia...esse senhor que não é doutor, mas tem a escola da vida, arrematou: VLT? NÃO VAI FUNCIONAR! É MUITO COMPLICADO! Acho que é só para cidade onde a verba esteja sobrando aufa, e não faltando a beça."


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

MORRE CARLOS BRATKE

Foto Leonardo Colosso/FolhaPress

     No último dia 9 faleceu em São Paulo o arquiteto e urbanista Carlos Bratke que nasceu em São Paulo no dia 20 de outubro de 1942, tendo se formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, no ano de 1967, e posteriormente feito pós-graduação (1969) em Planejamento e Evolução Urbana, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Fez parte de várias Diretorias do IABsp, 1º Vice-presidente nas gestões de 1988/1989 e 1990/1991, Presidente na gestão de 1992/1993 e Conselheiro Superior de 1994 a 2005.
     Tem diversos projetos em Cuiabá dentre os quais os edifícios multifamiliares GENESIS, DOMUS AUREA, DOMUS MÁXIMA  e o CENTRUSTOWER da foto abaixo:

                                             Foto João Gabriel Sales/José Augusto Figueiredo

Leia mais em
 http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1848397-arquiteto-da-berrini-carlos-bratke-morre-aos-74-anos-em-sao-paulo.shtml

sábado, 7 de janeiro de 2017

MEXER O DOCE

Foto Douglas Agum       internet  

José Antonio Lemos dos Santos

     Nunca as coisas são fáceis, mas a cada passagem de ano a gente deseja a vinda de coisas boas para todos, como se elas acontecessem por si só. Nestas ocasiões vivemos a ilusão da esperança. Esperançosos esperamos o bom velhinho, a fada madrinha ou El-Rey trazer de bandeja tudo aquilo que desejamos. O ambiente festivo, de abraços, sorrisos, compras, comilanças e bebelanças ajuda a esquecer que os desejos não se realizam assim e que para acontecerem é preciso correr atrás, pôr a mão na massa, contando com a indispensável ajuda lá de cima, é claro.
     Este ano de 2017 desperta nos brasileiros muitas perspectivas, como esperanças nas quais em verdade não se espera muito, apesar da enorme necessidade de acontecerem. Não é para menos. Depois de seculares decepções a cidadania se divide dentro de cada cidadão entre a passiva e antiga resignação pelas coisas a seu favor não acontecerem e a crescente vontade de fazer com que aconteçam. Cansada de ser enganada, vilipendiada por interesses escusos que só lhe diz respeito naquilo que lhe é subtraído, roubado às escâncaras, junta as forças da indignação com a força das novas ferramentas que a modernidade oferece como a comunicação instantânea das redes sociais, e-mails e whatsapps, já testadas na organização de poderosas manifestações públicas. Este ano novo traz muitas esperanças, mas, a maior delas é que o povo já sabe que só esperar não basta, é preciso mexer o doce, protagonizar a história, participar conscientemente, aglutinar, cobrar, criticar, apoiar, vaiar e aplaudir quando for o caso. Desta esperança maior abre-se no ano um leque de possíveis focos para a atenção cidadã.
     A prioridade máxima seria concluir o processo de extração até seu último vestígio do maldito carnegão da corrupção que maltrata o país, sem nunca menosprezar os poderosos adversários, aqueles que usarão de todo seu estoque de malandragem para tudo de novo terminar em pizzas. Se não for extraído inteiro, terá sido tudo em vão e a praga brotará novamente, talvez com mais forças. Junto, focar na mãe de todas as reformas, a reforma política, buscando que seja verdadeira, estabelecendo no mínimo que as eleições proporcionais permitam ao eleitor saber quem poderá eleger de fato com seu voto, mostrando as listas, como acontece nos países democraticamente civilizados, e não como aqui, apenas um truque para manutenção dos caciques políticos.
     No caso de Cuiabá, atenção especial merecem os novos vereadores, a maioria deles com sérias e limpas intenções, mas já sob fogo cerrado da velha guarda para que entrem nos velhos esquemas. O apoio ostensivo da cidadania é importante para que resistam e sem digladiar entre si formem um bloco dos novos para enfrentar as fortes e ardilosas pressões do passado indesejável, contando com o apoio de seus eleitores, mesmo daqueles que não elegeram diretamente seus escolhidos, mas outros através do voto de legenda. A firme rejeição ao imoral reajuste de seus salários seria a primeira prova de fogo.

     Nesta superficial prospecção de prioridades para a cidadania em 2017, no caso da Grande Cuiabá há que se exigir a conclusão das obras da Copa, paralisadas por motivos até hoje não muito claros, como no caso da Arena, o aeroporto, trincheiras ou mesmo o VLT. E mesmo conclusão das outras obras inconclusas que não são da Copa, como o Hospital da UFMT, o Pronto Socorro, duplicação da Cuiabá-Rondonópolis, a ferrovia passando por Cuiabá e subindo até Nova Mutum e agora a Orla do Porto e o Parque das Águas. E muita atenção para que não se repita nas prefeituras a velha prática de um governo desconstruir as obras de seu antecessor. Assim talvez seja preparado em 2017 o melhor presente para os 300 anos de nossa cidade: uma nova política. É sonhar muito?
(Publicado em 07/01/17 pelos sites FolhaMax, MidiaNews, ArquiteturaEscrita, BlogDoLúcioSorge, NaMarra, em 08/01/17 pela PáginaDoEnock, em 09/01/17 pelo CAU-MT, em 10/01/17 pelo Diário de Cuiabá, ...)


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

LEONARDO BENEVOLO (1923 -2017)



italianostraroma.blogspot.com.br

"Ontem, 05 de Janeiro de 2017, faleceu aos 93 anos de idade o arquiteto Leonardo Benevolo.

Leonardo Benevolo foi uma das figuras mais representativas de toda a história da arquitetura italiana (sobretudo da história da crítica e planejamento urbano), um profissional sempre atento aos problemas e possíveis novos horizontes da cidade.

Benevolo estudou arquitetura na Universidade de Roma, onde se graduou em 1946. Ensinou história da arquitetura no Ateneo, e depois nas Universidades de Florença, Veneza e Palermo. Seus escritos -- principalmente o livro História da Arquitetura Moderna, publicado nos anos 60 -- foram disseminados e traduzidos para muitos idiomas, rendendo ao arquiteto fama internacional a ponto de ser reconhecido hoje em dia como um dos historiadores mais ilustres da arquitetura e urbanismo. " Archdaily.

Leia mais em http://www.archdaily.com.br/br/803007/falece-o-arquiteto-italiano-leonardo-benevolo


Uma das minhas maiores referências em Arquitetura.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2016, O ANO NECESSÁRIO

uol- charge Mariano

José Antonio Lemos dos Santos

     O arquiteto e urbanista em sua essência tem que ser antes de tudo otimista e esperançoso. Otimismo e esperança são características inseparáveis a quem baseado no presente trabalha com o futuro, aquilo que ainda não existe, sempre na perspectiva de que um dia venha a existir. Não pode ser aliado do pessimismo e da desesperança, senão, qual a graça em trabalhar o futuro? Entretanto, refletir sobre 2016 e as perspectivas para 2017 coloca a prova qualquer estoque de otimismo e de esperança. É pouco o esforço que faço a cada artigo para escoimar os aspectos negativos e ficar só com os positivos, como o trabalho de um garimpeiro apurando o cascalho para ficar só com o que é precioso.
    2016 foi um ano duríssimo. A lembrança que não me foge à cabeça é a de um furúnculo. Lembram de furúnculo? Palavra feia que não se fala mais e era tão comum na minha infância. As crianças do meu tempo tiveram pelo menos um. Não se podia comer alimentos “quentes”, que hoje corresponderiam a “muito calóricos” e, então eram proibidos chocolate, manga e, até, bocaiuva! Inchava, doía, mas o pior era o tratamento feito em casa mesmo: espremer para sair o pus, enfiar no buraco uma gaze, colocar um emplastro quentíssimo, mercúrio cromo ou iodo banhando tudo e depois encher com um pó famoso na época. Por fim, muita gaze e esparadrapos, concluindo a obra. Demorava semanas. A dor e a aflição no tratamento eram terríveis, mas, absolutamente necessário enfrentar. E tinha um tipo pior ainda de furúnculo que era chamado de “antraz”. Barbaridade! A notícia boa é que nunca soube de alguém que tenha morrido dessas coisas, só agora no Google.
     2016 foi um ano duríssimo no qual o Brasil começou a tratar o mal que o atormenta a décadas, séculos talvez, o furúnculo da corrupção, que, lhe rouba energias que deviam ser dirigidas ao bem-estar e à qualidade de vida de seu povo. Como nos humanos o tratamento é cruel, aflitivo e doloroso, dando ideia de não acabar nunca. Mas é necessário e tem que ir até o fim, como nos antigos furúnculos. O pior, porém, é que os furúnculos lá no fundo tinham um tal de “carnegão” que precisava ser extirpado totalmente, senão não curava de verdade e voltava. O emplastro quente era para “puxar” o tal carnegão para cima e, à medida que ia subindo a técnica continuava sendo espremer até sair tudo, por isso o tratamento demorava tanto.
     No caso do Brasil, não há dúvida que chegamos ao “carnegão”. Ou será que não? Faz tempo que falamos ter chegado ao fundo poço, e no entanto, o poço sempre era mais profundo. Mas agora parece que atingimos o cerne, o núcleo duro do poder político corrompido, do carnegão nacional. O tratamento é aflitivo, cruel e demorado, mas necessário e tem que ir lá no fundo usando o emplastro quentíssimo das delações premiadas para depois espremer à medida que o mal aflore até extirpá-lo na totalidade, em todos os setores e todos os partidos, espremidos com as unhas poderosas da Justiça.

     Em 2016 o bem e o mal vieram juntos. O maior mal nacional foi a descoberta unânime do estágio avançado do furúnculo da corrupção no país, que sempre foi de existência conhecida, mas ninguém supunha sua real extensão, por sinal ainda desconhecida em sua totalidade. O bem maior foi que a nação não teve medo de enfrentar a crueldade da cura, e parece disposta a levá-la até o fim, ainda que existam setores poderosos que pretendam interrompê-la. Que o Brasil continue seu tratamento por mais cruel e sofrido que seja, arrancando o carnegão até as raízes. Só assim restará a esperança de um Brasil novo e em dias melhores para nossos filhos, netos e gerações futuras. Ainda que dura, esta é a mensagem possível de otimismo e esperança para 2017.
(Publicado em 30/12/16 pelo MidiaNews, PáginaDoEnock, NaMarra,Arquitetura Escrita, PoconéOnLine, BlogDoLúcioSorge, JornalDoNorteAraguaia, em 31/12/16 pelo DiárioDeCuiabá, em 02/01/17 pelo CAU-MT, ...)

COMENTÁRIOS:
No MidiaNews:
JOSÉ GONÇALVES  30.12.16
"Pois é sr. José....tem uns inocentes que só descobriram isso agora....eu ja sabia disso a muitos governos atras."

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO - 3

José Antonio Lemos dos Santos

Em uma série seleciono importantes projetos arquitetônicos e urbanísticos localizados em Mato Grosso, pouco reconhecidos pelo público local.

JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO - 3
ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT

A JOIA DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO é o ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT, do arquiteto e urbanista JOSÉ AFONSO BOTTURA PORTOCARRERO,  Localizado em Cuiabá, MT, teve seu projeto iniciado em 2007 e a obra foi concluída em 2010.


ecodesenvolvimento.org

Projeto bastante homenageado nacional e internacionalmente recebeu o certificado BREEAM (Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method ) de sustentabilidade, e foi considerado o edifício mais sustentável em uso na América Latina. 



feiradoempreendedorpb.com.br

Visitado por empresários e estudantes de arquitetura em 2012 recebeu estudantes de arquitetura do Instituto Federal Suiço de Tecnologia de Zurique, tradicional instituição suíça fundada em 1854. 

belicosa.com.br

Para informações sobre visitas acesse o link http://www.espacodoconhecimento.org.br/?page_id=23




JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO - 2
PALÁCIO ALENCASTRO

A próxima joia é o PALÁCIO ALENCASTRO, em Cuiabá, 1960, projeto dos arquitetos BENJAMIN DE ARAÚJO CARVALHO  e  KARL SASS.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Uma autentica aula de Arquitetura Modernista, versão reduzida em andares do famoso Ministério Da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, de Le Corbusier e Niemeyer, contem os 5 pontos determinados pelo mestre francês para sua arquitetura funcionalista: PILOTIS, PLANTA LIVRE, FACHADA LIVRE, JANELAS ALONGADAS e TETO JARDIM, incorporando também os BRISE-SOLEIL.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

O edifício abrigava praticamente toda a estrutura da administração estadual, bem como o Tribunal de Contas do Estado, um salão para recepções, mezzanino para exposições e instalações para visitantes ilustres, dada carência da rede hoteleira na época. Hoje abriga parte da administração municipal da capital mato-grossense.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Destacam-se nas fotos a beleza do TERRAÇO-JARDIM, conceito que não pode se confundir com o atual TETO-VERDE, e a transparência dos PILOTIS em cones invertidos permitindo perpassar dos jardins do Palácio Alencastro aos jardins da então Residência dos Governadores. Um edifício que merecia ser tombado pelo Patrimônio Histórico com a maior urgência.

NOTA- Agradeço a gentileza da Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC, arquiteta e urbanista professora Paula Libos permitindo a utilização da maquete restaurada por sua iniciativa pelo estudante Gilberto Pavlovski. Sem a maquete seria impossível destacar toda a importância arquitetônica do edifício, dado seu estado de degradação, apesar de ser a sede da Prefeitura Municipal de Cuiabá.

NOTA 2- Essa maquete é a original, por isso mais importante ainda. Lembro-me lá por 1957, 58 dela exposta na vitrine da antiga Farmácia Araújo  que ficava em frente à Praça da República, vizinha à agencia da VASP, Casa Alberto e do Centro América Hotel, que ocupava os andares superiores do belo Edifício Tuffik Affi, cujo térreo era ocupado pela Loja Riachuelo. Ainda criança passava sempre por lá para admirar em maquete o grande edifício que ia ser construído em minha cidade. Com o surto de desenvolvimento trazido por Brasília, era o espírito da modernidade que invadia a cidade depois de décadas estagnada. Com ele muita coisa preciosa foi destruída como a antiga Catedral, o antigo Palácio Alencastro e o Edífício Tuffik Affi. Era a força da grana que retornava à cidade, ela que no dizer do Caetano Veloso "ergue e destroi coisas belas."  

JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO -1
ABRIGO TAXISTAS

Foto José Lemos

José Antonio Lemos dos Santos

      Uma série que início com o ABRIGO PARA TAXISTAS EM CUIABÁ. Embora pequena em dimensões físicas, uma das jóias mais valiosas da Arquitetura em Mato Grosso, do arquiteto ADEMAR POPPI, um exemplo da ARQUITETURA PÓS-MODERNISTA REGIONALISTA,  aquela que utiliza referências da cultura regional,  Infelizmente, a maioria dos exemplares em estado de abandono, ainda que cumprindo sua função principal de brigo para taxistas.  Este fica na Avenida do CPA, entre as lojas da Havan e do Comper, em Cuiabá,  Não fica em Paris mas merece uma visita. Posteriormente acrescentarei maiores dados.

Foto José Lemos

sábado, 17 de dezembro de 2016

A CIDADE E O NATAL

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José Antonio Lemos dos Santos

     Ainda refletindo sobre Civilização, Cidade e Cidadania é fácil ver que o conceito de Liberdade também é visceralmente ligado a estas três gêmeas inseparáveis. Peguei o tempo em que a liberdade de um terminava onde começava a do outro. Mas o mundo evoluiu e todos nos transformamos com ele. As melhores tendências do mundo atual apontam para uma visão de inclusão, compartilhamento e sustentabilidade. Hoje seria mais correto dizer que a liberdade de um não mais termina, mas se complementa na liberdade do outro. Não mais a liberdade solitária, mas a liberdade solidária. Ou somos todos livres ou não somos livres.
     O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo que veio para religar o homem a Deus, como Maomé, Buda e outras figuras grandiosas, conforme seus seguidores de fé. Aliás, essa “re-ligação” com o divino está na origem da palavra “religião” e é o mais importante estágio da evolução humana, mesmo que o homem ainda evolua muito. Religado a Deus o homem pensa no outro como irmão e que a felicidade está na comunhão, comum-união de todos na grande família divina. A felicidade solidária, não solitária. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre tudo.
     A cidade é uma invenção humana, a maior e mais bem sucedida delas. Um objeto artificial que é construído numa construção permanente. Importante é que se trata de uma construção coletiva, feita no dia-a-dia com o trabalho de cada cidadão, que por isso é seu verdadeiro dono. A cidade é do cidadão, célula da cidadania. Ele constrói a cidade com sua casinha, do casebre à mansão, com seu estabelecimento comercial, da pequena borracharia aos grandes empreendimentos. E a cidade é construída para ser o lócus das múltiplas relações urbanas, sendo justamente a convivência lado a lado dessas diversas relações, na integração e no conflito de seus diferentes interesses que surge a fantástica sinergia das cidades que faz a Humanidade dar saltos de desenvolvimento cada vez mais rápidos ao longo da História. A cidade é a unidade dessa diversidade e por isso é solidária. Ou pensamos um no outro, do passado, do presente e do futuro, ou perecemos como seres urbanos, como civilizados.
     Como no conceito de Liberdade, a cidade de cada um não mais termina onde começa a cidade do outro, elas se complementam. A cidade de um embeleza ou enfeia, ajuda ou atrapalha a cidade do outro, pois não existe uma cidade para cada um, a cidade é uma só, ainda que percebida pelas pessoas de maneira diferente, de acordo com o uso individualizado. A cidade é uma só e de todos, da cidadania, ou não é de ninguém e começa a morrer. É a expressão máxima da comunhão do espaço na grande obra destinada ao bem de todos. É o bem comum a ser compartilhado, convivido por todos. E aí ela é divina. Talvez por isso as cidades ficam especialmente belas no Natal.
     A grave crise das cidades no mundo, em especial Cuiabá e Várzea Grande só será resolvida quando a cidadania retomar a cidade como sua, seu maior bem, feita por ela e que tem as autoridades públicas como seus funcionários para coordenar e promover essa grande obra. Não basta mais cada um fazer sua parte e, muito menos, apenas esperar El-Rey. Além de fazer nossa parte, temos direito a que o outro faça a parte dele, de acordo com o projeto comum firmado nas leis urbanísticas, no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano que, por isso, deve ser técnica e democraticamente elaborado. Construir a cidade, além de cada um fazer bem sua parte, é participar ativamente, apoiar, discutir, criticar, aplaudir e cobrar. Só ou em grupo. E já existem bons sinais nesse sentido. Além da cidade de cada um, há sempre a cidade do outro. Nada mais cristão, nada mais natalino.
(Publicado em FolhaMax em 17/12/16, na Página do Enock e no MidiaNews em 18/12/16, em 21/12/16 no HiperNoticias, no Diário de Cuiabá (Cuiabá e o Natal), no dia 23/12/16 no TribunaMT, ...)
COMENTÁRIOS
Na Página do Enock:
Osmir  24/12/16
"Acorda Zé, enquanto estivermos sendo administrados por esses incompetentes e despreparados, continuaremos sendo uma cidade desordenada , suja ,mal cuidada,e o que é pior saqueada em todas gestões. Fale sobre flores"!

Vicente Araújo  25/12/16
"Osmir será sempre um pontinho fora da curva. Sua metralhadora giratória (em sentido figurado) está sempre matraqueando contra as opiniões dos técnicos e especialistas, como se soubesse de tudo e dominasse os conhecimentos de todas as ciências e ofícios. Trata-se de uma mente doentia (em seu viés fascista, antidemocrático e autoritário) ou apenas um saudosista das ditaduras militares que solaparam a América Latina e o mundo (filho tardio do militarismo golpista)? Ora, Osmir, acerte esse passo com sua contemporaneidade ou viverá para sempre nesse serviço sujo de atormentar os ambientes democráticos e republicanos, sempre com suas opiniões deseducadas, grotescas, marcadamente estúpidas e desaforadas. Osmir porventura imagina que a sociedade brasileira e suas instituições seja uma grande caserna a céu aberto? Osmir imagina que seus maus modos e rudeza poderão calar as pessoas? Cala a boca Magda, digo, Osmir… ou fale construtiva e educadamente para ser recebido como um verdadeiro camarada! Com esses seus modos será sempre tratado como um infiltrado nas fileiras democráticas! Creio que até Papai Noel está de saco cheio com você!"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"TEXTÃO"

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Arquiteta Silvana Zeni e arquiteto Márcio Barreto




Silvana Valério Zeni

     "TEXTÃO"...PORQUE NÃO??? Poucos lerão mesmo...Caramba como é gostoso saber que estou no caminho certo, começo a imaginar que falta pouco para eu encontrar o caminho das pedras...
     Nos últimos dias 12 e 13 tive a oportunidade de comprovar isso, por falta de atenção minha quase perdi o evento que nós Arquitetos e Urbanistas somos agraciados pelo CAU/MT nesta época do ano, datas que comemoramos nosso dia, mas enfim quando é surpresa boa, tem uma gosto todo especial também. No primeiro dia conheci pessoalmente os arquitetos Dani Magero e Bruno Capanema, e pude certificar pela palestra dada por eles, que são profissionais realmente comprometidos com sua missão, que é no meu entendimento, de mostrar o caminho do empreendedorismo aos profissionais da arquitetura, caminho este que deveria, e acredito que em breve será obrigatório nas faculdades, pois saímos da faculdade sabendo projetar, mas não preparados para o mercado de trabalho.
     Ainda equiparadamente a satisfação de participar da palestra dos idealizadores “Arquitetos de Sucesso”, Dani e Bruno, conheci o jornalista mais conhecedor de arquitetura do que muitos e muitos arquitetos, somente falta a ele, acredito (vai saber) saber projetar e o diploma de Arquiteto e Urbanista, pois Raul Juste Lores deixou a todos boquiabertos da riqueza de conhecimento da Arquitetura e Urbanismo no mundo, inclusive no Brasil. Não vejo a hora, dele lançar seu livro, se, em uma palestra ele destilou em nossa veia, tamanho conhecimento, imagine em seu livro. 
     No Segundo dia de palestras, fui apressadamente sem conferir os palestrantes, chegando la percebi que o tema era algo que eu “possivelmente já entendia”, tema este que era “O RRT como instrumento de valorização da arquitetura e urbanismo”. Ministrada pelo arquiteto Claudemir José de Andrade, um pouco desatenta, mas ali me esforçando para me concentrar, pois sei que sempre aprendemos mais, quando é um tema que “possivelmente” conhecemos. Por sorte acordei, e percebi que na minha cara estava o meu currículo, a comprovação técnica dos meus trabalhos, o Acervo Técnico. Como assim ele estava ali o tempo todo, mas em meu “ponto cego”, foi esclarecedor, a visão de taxa da RRT se caiu naquele momento e veio em mente que em varias vezes me peguei olhando oportunidades de trabalho em que se exigia Acervo Técnico, e eu acreditava, não ter ainda. Que delicia, começar listar ali mesmo, meus trabalhos destes dois anos de formada, e descobrir que poderia ter feito mais de dez RRTs, e ainda mais feliz em descobrir que ainda posso fazê-los, comprovando a autoria dos meus projetos e estudos preliminares...eu que acreditava que não tinha feito metade do que poderia ter feito nesses poucos anos de formada, descobri que estou satisfeita com os trabalhos até agora realizados. 
     Palestrantes seguiram e todos interessantíssimos, na área de ensino, como a Arquiteta Andreia Arruda Canavarros, a experiência relatada através de inúmeros projetos Urbanísticos do arquiteto Jorge Mario Jauregui, realizados nas favelas do Rio de Janeiro, projetos estes que inspiraram e firmaram ainda mais o meu “eu Urbanista”, criei varias idéias na mesma hora, inspirada nos slides que estava vendo, e por fim um profissional que já havia trocado mensagens pelo Facebook , inclusive me candidatando a discípula dos seus métodos, o arquiteto Marcio Barreto, o reconheci e não perdi tempo, o abordei e passamos boa parte do coffee break conversando sobre os métodos inovadores de abordagem do mercado de trabalho, que em apenas três anos já é uma referencia entre os profissionais de todo Brasil, inclusive, a culpa é dele por eu ter ficado sem os salgadinhos “mais saudáveis”...pensei: “Vou ficar com fome”, mas quem disse que o que nos move, o que nos inspira, que é o aperfeiçoamento do conhecimento, do nosso amor pela arquitetura não alimenta, confesso que agora três horas após o termino do evento, estou comendo algo, somente por habito, porque estou ainda satisfeita, estou ainda degustando as experiências, que gentilmente os grandes profissionais que o CAU/MT nos presentearam, sou grata, imensamente, pela recarga de energia, que nesse momento tão delicado em que no mundo e no Brasil passamos. Estou tão motivada com a profissão, como no primeiro dia de aula na faculdade.     
      Ainda agradecendo, não posso deixar de citar, que um dos palestrantes, me confidenciou que seus professores eram “elitistas” que não o motivaram a fazer arquitetura para todos, eu respondi: Nossa que sorte eu tive, pois tive excelentes professores, e citei alguns, como Jose Antonio Lemos SantosCassia Abdallah, , Ademar PoppiVera BaggettiLuiz Claudio BassamJosé Maria Andrade , etc. Sei que não citei todos os excelentes professores que tive e peço perdão, é presente a lembrança do brilho no olhar, o interesse em nos fazer entender o que é Arquitetura e Urbanismo de verdade, eles me motivam até hoje...e tenho a honra hoje de ser pra sempre aluna e colega deles, vivendo no mesmo tempo, aprendendo ainda com eles, sou realmente grata, me sinto renovada para o novo ano que esta chegando, acreditando ainda mais, que é possível fazer a diferença, na vida de quem mais precisa de Arquitetura e Urbanismo, OS MENOS ABASTADOS!!!