"FIRMITAS, UTILITAS et VENUSTAS" (Tríade Vitruviana)



sábado, 25 de fevereiro de 2017

ACADÊMICOS DAS REBIMBELAS

MidiaNews

José Antonio Lemos dos Santos

     Foi estarrecedora a desdenhosa atenção dada pelos governo do estado e Federação Mato-grossense de Futebol pela realização do jogo São Paulo x PSTC do Paraná pela Copa do Brasil no próximo dia 1 de março na Arena Pantanal. Mesmo a Arena seduzindo por seu próprio poder atrativo sucessivos eventos de caráter nacional e internacional, o governo e Federação fazem sempre questão de chegar fora de hora alegando dificuldades ridículas, facilmente superáveis por qualquer administração minimamente interessada em um grande patrimônio público.
     O surpreendente PSTC ao passar para a segunda fase da Copa do Brasil, com mando de campo e tendo que enfrentar o poderoso São Paulo, escolheu de comum acordo com o adversário a Arena Pantanal como palco para seu importante jogo. Escolheu. Foi de graça. Não vi qualquer notícia de que alguém daqui tenha ido lá convidá-los. Ao contrário, o PSTC teve que enfrentar sua torcida e a pressão de cidades do Paraná como Londrina e Maringá para seus estádios serem escolhidos. Por que um jogo desses é tão disputado? Pela careca do Rogério Ceni?
     Um evento envolvendo cerca de 40 mil espectadores diretos e milhões via TV, não pode ser confundido com um simples jogo de futebol. Levado a sério e bem promovido rende muito dinheiro para as cidades em hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, comércio em geral e os famosos ambulantes de material esportivo, de alimentação, souvenirs, etc. Essa é uma das razões da multifuncionalidade da Arena Pantanal, ainda não assimilada pelas suas autoridades responsáveis. Fora a divulgação positiva da cidade e do estado, também importante.
     A Arena Pantanal após receber com total êxito uma Copa do Mundo e ser escolhida pela crônica esportiva estrangeira como a mais funcional das arenas, chegou ao absurdo de ficar interditada por 1 ano e meio por ditos “problemas estruturais” que foram resolvidos pela bagatela de R$ 6,0 mil, envolvendo o conserto de dois rufos na cobertura e uma placa de fibrocimento na fachada, tendo sido liberada imediatamente após o jogo Brasil x Bolívia, eliminatório para a próxima Copa do Mundo ter sido transferido para Maceió. Depois a CBF propôs o jogo Brasil x Paraguai, também pelas eliminatórias, que também não veio.
     Pois bem, no fim da semana passada foi noticiada a intenção do jogo do São Paulo ser na Arena. Indagado sobre a possibilidade do jogo ser em Cuiabá a FMF respondeu que teria a resposta só na segunda-feira, estávamos na sexta. Na segunda-feira à noite veio a notícia de que a CBF havia vetado a Arena Pantanal por falta de um laudo do Corpo de Bombeiros, prometido pelo governo para até o dia do jogo, 15 dias depois. Brincadeira ou não! Um jogo como esse envolve uma série de preparativos logísticos, de adaptação, locais de treinamento e não pode ser mudado de uma hora para outra.  E se o laudo não saísse?
     E assim vai nossa Arena Pantanal, tão reverenciada internacionalmente, que recebeu uma Copa, mas não pode receber jogos nacionais, sendo agora trocada por um estádio com capacidade inferior a do charmoso Dutrinha, cujo muro caiu esta semana, talvez por excesso de zelo. Certamente algumas rebimbelas de parafuzetas devem estar atrapalhando nossas obras que nunca são concluídas embora muitas em pleno funcionamento faltando tão pouco para suas inaugurações definitivas. Rebimbelas federais, estaduais ou municipais, jurídicas, técnicas ou burocráticas. Rebimbelas prá todo lado atravancando tudo. Quisera ter a arte de um Gentil Bussik e dos saudosos Hélio Goiaba ou Moacir da Costa e Silva para compor uma marchinha sobre elas, satírica, crítica, dura mas bem-humorada, inteligente e elegante, como faziam para os velhos carnavais cuiabanos dos idos de 50/60.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

JOIAS DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO 11

José Antonio Lemos dos Santos

Aos alunos costumo dizer que vivemos dentro de um livro vivo de Arquitetura, à cores, 3D, gratuito, sem contra-indicações, não engorda nem dói seu manuseio.  E Cuiabá e Mato Grosso tem muito a nos encantar e ensinar em termos de arquitetura, Basta passear pela cidade e pelo nosso estado com olhos de ver e cabeça aberta para entender, registrar em fotos, tirar selfies e arquivá-las no computador. Tentando ajudar os estudantes, profissionais ou simples amantes da Arquitetura seleciono em uma série semanal importantes projetos arquitetônicos e urbanísticos localizados em Mato Grosso, pouco reconhecidos pelo público local.

11 - ESMAGIS-MT

   
anamages.org.br 

      Inaugurado em 3 de abril de 2008, o edifício da ESCOLA DOS SERVIDORES DA MAGISTRATURA DE MATO GROSSO  (ESMAGIS-MT) é resultado de um projeto arrojado do arquiteto e urbanista PAULO MOLINA. Fica em Cuiabá, no CPA junto à Praça das Bandeiras.

tjmt.jus.br

Iniciado em 2001 o projeto incorpora conceitos, materiais e tecnologia contemporâneos, em um feliz exemplo TARDOMODERNISMO  em sua vertente HIGH TECH, tirando proveito da acentuada declividade do terreno.


svg.eng.br 

Segundo o arquiteto o edifício procura inspirarar a ideia de que o NOVO é possível e acessível.

svg.eng.br




10 - LICEU CUIABANO

     Inaugurado em 1944 o LICEU CUIABANO tem sido uma das "joias" mais requisitadas pelos leitores. E com toda razão. Projetado e construído pela empresa Coimbra Bueno, firma que praticamente foi responsável pelas inúmeras obras modernizadoras de Cuiabá realizadas no período do Estado Novo.

Wikipedia

 Um magnífico exemplo do MODERNISMO ORGANICISTA utiliza materiais regionais, com seixos rolados e areia de rio de granulometria de alta precisão para dar a textura incomparável, embora muitos tenham tentado imitá-la sem sucesso.

Flickr

Flickr



Varanda das salas superiores.


WILLITS HOUSE - Internet


Sem dúvida que a inspiração veio da WILLITS HOUSE, de 1902, de FRANK LLOYD WRIGHT, fundador da vertente organicista do Modernismo então nascente na Arquitetura na virada do século XIX para o XX.

NOTA: Fotografias  não referenciadas são dos então alunos de Arquitetura e Urbanismo Josias da Silveira, Marcos Sponchiado e Maria Magdalena  Santamaria.


9 - SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DO BOM DESPACHO


     Iniciada em 1918 com projeto de JEAN LOUIS MOUSNIER,  em perfeito exemplar do NEOGÓTICO.  Tem uma irmã em Cáceres, filha do mesmo autor e do mesmo estilo em Cáceres.


linhasjuridicas

Elevadíssimo conhecimento técnico e construtivo para  para projetar e executar esta autentica joia arquitetônica, perfeita em seus detalhes: nervuras, pináculos, trifórios, arcobotantes, contrafortes, arquivoltas, etc. Uma aula de arquitetura neogótica.

Fachada Principal - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006

Contemporânea da Catedral da Sé de São Paulo, dizem que foi fruto de uma competição entre os padres salesianos de origem italiana e os freis de origem francesa para ver quem fazia a igreja mais bonita. Fizeram duas joias, ambas neogóticas, uma com o tempero francês e outra com características italianas. 
Nave Principal - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006

Segundo o arquiteto e urbanista Alex de Mattos, o projeto da Bom Despacho é pleno de simbolismos religiosos e esotéricos, e segundo ele a torre seria coroada com uma agulha, que não foi realizada.

Fachada Lateral - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006

Abside - Sandra Saga/ Juliana Toniazzo 2006






8 - COMPLEXO FORENSE DE CUIABÁ


Foto: Ricardo Castor

 Projeto do arquiteto e urbanista MARCELO SUSUKI, de 2004, inaugurado em 2005, foi considerado pelo site especializado ArcoWeb como um dos melhores projetos da primeira década do século. Suas características inovadoras e configuradas de acordo com as condições climáticas de Cuiabá deu "ao conjunto um aspecto que poderia ser resumido como high tech caboclo ou alta tecnologia dos trópicos" segundo o o mesmo site.

Imagem: Constructalia


Concebido em estrutura metálica, protegida por uma máscara solar em ripado, o complexo é sombreado por uma cobertura atirantada, com espaço interno intercalado com jardins, deixando distante a ideia dos antigos  e lentos "palácios" da Justiça indo em busca da agilidade do que poderia ser uma "fábrica" de Justiça, contemporânea da tecnologia e da problemática do mundo atual.

Imagem: Constructalia

Fantástico, embora nos remeta ao Centro Cultural George Pompidou, em Paris, de Norman Forster e Renzo Piano, indica também, ao lado da Arena Pantanal,  possíveis caminhos para uma arquitetura ambientalmente adequada à realidade climática dos trópicos em Mato-Grosso.

Imagem: Arcoweb


7 - ROSEHOUSE


Foto Rose Monteiro 2016

     De 1982 em Chapada dos Guimarães este exemplo do DESCONTRUTIVISMO na arquitetura, do arquiteto e urbanista LUIS CLÁUDIO BASSAM, avançadíssimo para os dias de hoje, imagina a 25 anos atrás.

Foto Rose Monteiro 2016


6 - CIRCUITO CARLOS BRATKE

     Durante as décadas de 1980 e 1990 Cuiabá teve a oportunidade de receber um conjunto de projetos do importante arquiteto paulista CARLOS BRATKE, falecido no último dia 9 de janeiro aos 74 anos. Em sua homenagem destaco o conjunto de sua obra na capital mato-grossense através de 6 dos mais expressivos desses seus projetos.  
     Àqueles que se interessarem, peço que votem no projeto que considerar mais significativo, aqui mesmo no blog no espaço para comentários, ou pelo face ou mesmo por e-mail. A ideia é fazer uma ordem de disposição das fotos conforme  a votação.   

Gênesis
Foto José lemos 2017


















Domus Aurea

Foto José lemos 2017

Domus Nobilis

Foto José lemos 2017


Palladium
Foto José lemos 2017

Terra Solis
Foto José lemos 2017

Centrus Tower (comercial)


Foto José lemos 2017

5 - ARMAZÉM OLIVEIRA  
     
     Perdida no meio do burburinho de automóveis, ônibus e pessoas da cidade de Cuiabá que cresceu, lá está meio escondida a pequena joia o ARMAZÉM OLIVEIRA, no cruzamento da Rua Joaquim Murtinho com  a Avenida Generoso Ponce (começo da Isac Póvoas a partir da Prainha). 

Foto José Lemos 2017

     Em um terreno de cerca de 140 m² o edifício de uso misto em 2 pavimentos (no nível superior residencial e comercial no térreo) teve sua construção iniciada em 1949 e concluída em 1950, por iniciativa do proprietário do lote, senhor RAYMUNDO PEREIRA DE OLIVEIRA cuja família continua preservando às suas expensas,  para a cidade e para o estado o importante patrimônio cultural da família.  Apesar de, segundo a família, ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico, até hoje não recebeu qualquer ajuda ou incentivo oficial. Hoje é cuidada pelo neto do construtor,

Fachada da Rua Joaquim Murtinho - Foto José Lemos 2017

     Projetada  já ao final do apogeu da vertente MODERNISTA denominada ART DECO, pelo arquiteto alemão FREDERICO ORLAS e seu sócio o engenheiro civil lembrado apenas como sr, OLIVEIRA, trata-se de uma excelente síntese  das principais características deste estilo, cuja maiores expressões no mundo são o EMPIRE STATE BUILDING e o CHRYSLER BUILDING, ambos em Nova Iorque.  Valorização das entradas e esquinas e ornamentação destacando linhas e planos retas horizontais e verticais com inspirações mecânicas e aerodinâmicas, simetria, integração de Arquitetura e Design, 


Letras características do estilo  - Foto José Lemos 2017

Segundo o proprietário construtor nela foram usados tijolos comuns à tição e teria sido a primeira obra "particular" com estrutura em concreto armado em Cuiabá.



Detalhe da ornamentação - Foto José Lemos 2017


Esta postagem baseou-se em trabalho acadêmico da disciplina HISTÓRIA E TEORIA DA ARQUITETURA E URBANISMO da FAU - UNIC CUIABÁ, sob minha responsabilidade, realizado pelas então alunas
MARCIANA WIEGERT e ROSIANE CARRASCOZA, com informações buscadas em entrevista com o sr. Raymundo.


4 - EDIFÍCIO MICHELLE CLER 

Projeto de 1988 (ano de aprovação na Prefeitura) do arquiteto e urbanista MÁRIO BOCCARA, trata-se de um edifício residencial multifamiliar localizado em Cuiabá, MT, no Bairro Araés. Maiores e melhores informações serão bem vindas e acrescentadas.




As imagens acima são de 2007  das então alunas do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC-Cuiabá, em trabalho da disciplina História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo III:  Fabiana Conera, Muryel Ferrer, Pricielly Barasuol e Valéria Murer.

Imagem José Lemos 2016



3 - ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT

A JOIA DA ARQUITETURA EM MATO GROSSO é o ESPAÇO DO CONHECIMENTO SEBRAE-MT, do arquiteto e urbanista JOSÉ AFONSO BOTTURA PORTOCARRERO,  localizado em Cuiabá, MT, teve seu projeto iniciado em 2007 e a obra foi concluída em 2010.


ecodesenvolvimento.org

Projeto bastante homenageado nacional e internacionalmente recebeu o certificado BREEAM (Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method ) de sustentabilidade, e foi considerado o edifício mais sustentável em uso na América Latina. 



feiradoempreendedorpb.com.br

Visitado por empresários e estudantes de arquitetura em 2012 recebeu estudantes de arquitetura do Instituto Federal Suiço de Tecnologia de Zurique, tradicional instituição suíça fundada em 1854. 


belicosa.com.br

Para informações sobre visitas acesse o link http://www.espacodoconhecimento.org.br/?page_id=23




2 - PALÁCIO ALENCASTRO

A próxima joia é o PALÁCIO ALENCASTRO, em Cuiabá, 1960, projeto dos arquitetos BENJAMIN DE ARAÚJO CARVALHO  e  KARL SASS.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Uma autentica aula de Arquitetura Modernista, versão reduzida em andares do famoso Ministério Da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, de Le Corbusier e Niemeyer, contem os 5 pontos determinados pelo mestre francês para sua arquitetura funcionalista: PILOTIS, PLANTA LIVRE, FACHADA LIVRE, JANELAS ALONGADAS e TETO JARDIM, incorporando também os BRISE-SOLEIL.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

O edifício abrigava praticamente toda a estrutura da administração estadual, bem como o Tribunal de Contas do Estado, um salão para recepções, mezzanino para exposições e instalações para visitantes ilustres, dada carência da rede hoteleira na época. Hoje abriga parte da administração municipal da capital mato-grossense.

Maquete restaurada na FAU-UNIC    -     Foto José Lemos

Destacam-se nas fotos a beleza do TERRAÇO-JARDIM, conceito que não pode se confundir com o atual TETO-VERDE, e a transparência dos PILOTIS em cones invertidos permitindo perpassar dos jardins do Palácio Alencastro aos jardins da então Residência dos Governadores. Um edifício que merecia ser tombado pelo Patrimônio Histórico com a maior urgência. A inspiração sem nenhuma dúvida foi o Edifício do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, de Niemeyer, Lúcio Costa, Le Corbusier e outros, marco inicial do Modernismo na Arquitetura Brasileira.


NOTA- Agradeço a gentileza da Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIC, arquiteta e urbanista professora Paula Libos permitindo a utilização da maquete restaurada por sua iniciativa pelo estudante Gilberto Pavlovski. Sem a maquete seria impossível destacar toda a importância arquitetônica do edifício, dado seu estado de degradação, apesar de ser a sede da Prefeitura Municipal de Cuiabá.

NOTA 2- Essa maquete é a original, por isso mais importante ainda. Lembro-me lá por 1957, 58 dela exposta na vitrine da antiga Farmácia Araújo  que ficava em frente à Praça da República, vizinha à agencia da VASP, Casa Alberto e do Centro América Hotel, que ocupava os andares superiores do belo Edifício Tuffik Affi, cujo térreo era ocupado pela Loja Riachuelo. Ainda criança passava sempre por lá para admirar em maquete o grande edifício que ia ser construído em minha cidade. Com o surto de desenvolvimento trazido por Brasília, era o espírito da modernidade que invadia a cidade depois de décadas estagnada. Com ele muita coisa preciosa foi destruída como a antiga Catedral, o antigo Palácio Alencastro e o Edífício Tuffik Affi. Era a força da grana que retornava à cidade, ela que no dizer do Caetano Veloso "ergue e destroi coisas belas."  

1 - ABRIGO TAXISTAS

Foto José Lemos


      Uma série que início com o ABRIGO PARA TAXISTAS EM CUIABÁ. Embora pequena em dimensões físicas, uma das jóias mais valiosas da Arquitetura em Mato Grosso, do arquiteto ADEMAR POPPI, um exemplo da ARQUITETURA PÓS-MODERNISTA REGIONALISTA,  aquela que utiliza referências da cultura regional,  Infelizmente, a maioria dos exemplares em estado de abandono, ainda que cumprindo sua função principal de brigo para taxistas.  Este fica na Avenida do CPA, entre as lojas da Havan e do Comper, em Cuiabá,  Não fica em Paris mas merece uma visita. Posteriormente acrescentarei maiores dados.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

CIDADES E PEPINOS

Campo Novo do Parecis - midianews

José Antonio Lemos dos Santos

     Minha avó quando a gente era criança e precisava de um corretivo dizia para minha mãe: “Olha, é de menino que se torce o pepino”. Visitando o Google soube que esse conselho vem dos agricultores buscando conseguir a forma mais valiosa para o legume. É clara então a intenção carinhosa e cuidadosa da transposição dessa sabedoria popular para o desenvolvimento das crianças. Gosto de aplicá-lo também nas explicações sobre o desenvolvimento das cidades. As cidades também evoluem. Apesar de óbvio, muita gente pensa que nascem prontas e assim permanecerão para sempre, esquecendo que elas nascem, evoluem, podem estagnar ou até definhar, e morrerão um dia, como muitas já morreram.
     A calamidade que se abateu sobre Campo Novo do Parecis além de ter comprovado o espírito de solidariedade do mato-grossense, deve também motivar reflexões sobre a evolução urbana em Mato Grosso. Um estado com desenvolvimento acelerado tem muitas de suas cidades com ritmos extraordinários de crescimento que implicam em acompanhamento técnico sistemático, seja no quadro macro do estado, seja pontualmente no âmbito de cada município. Não conheço pessoalmente Campo Novo, mas preocupam sempre os sítios urbanos muito planos por suas dificuldades de drenagem, com é caso de algumas das belas cidades geradas pelo agronegócio, em regiões planas ótimas para a agricultura extensiva, mas exigentes em termos de urbanismo.
     O fato de serem muito novas ou não, não importa. Todas precisam de cuidados técnicos especializados para cuidar do presente e do futuro, preservando seus DNAs históricos. Há aqueles que dizem que as cidades mais velhas não têm mais jeito. Para estes cabe a pergunta, se fosse assim o que dizer de Londres, Amsterdã, por exemplo? E para as novas, dizem que não precisam pois são muito pequenas e já foram planejadas na origem. Para estes, o ensinamento do cultivo do pepino.
     De fato, a grande maioria das nossas cidades novas nasceu de processos de colonização e contou no mínimo com um traçado pensado com antecedência e, principalmente, com uma gestão da ocupação do solo urbano racional, o qual, ainda que com origem empresarial, deu a estas cidades uma cultura do controle urbano, das vantagens de se respeitar uma autoridade que cuide da cidade como um todo coerente e ordenado. Este para mim é maior patrimônio delas e que não pode ser perdido. Hoje elas são autônomas, em 2 ou 3 décadas cresceram tanto que já estão chegando nos limites daquele planejamento original e algumas até já ultrapassaram. Como resultado desse processo temos cidades magnificas, com elevados padrões urbanísticos e de qualidade de vida.
     O melhor e o pior é que além do grande dinamismo elas apresentam um potencial de crescimento futuro fantástico. O lado bom é que esse é o desejo da maioria das cidades. O lado ruim é o risco da recém conquistada autonomia leva-las de uma gestão empresarial bem sucedida aos braços da politicalha que domina o cenário urbano brasileiro e ao faroeste urbano. Até aqui, maravilha, todo mundo encontrou seu melhor lugar no sítio urbano pré-planejado, e temos cidades exemplares. E quanto ao futuro? Ultrapassados os limites do planejamento original, como garantir que estas cidades continuem belas, bem estruturadas e capazes de oferecer altas qualidades de vida?
     A resposta está no que as fez exitosas, o planejamento, um planejamento sistemático e contínuo, com estruturas técnicas permanentes capazes de segui-las dia a dia oferecendo alternativas técnicas de futuro e, sobretudo, criando uma cultura urbanística própria, conhecendo seus trejeitos e especificidades, pois as cidades são únicas, incomparáveis em suas potencialidades e em seus problemas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Enchente em Campo Novo do Parecis



     Em muitos lugares de topografia muito plana isso acontece. Na década de 70 Porto Velho vivia um drama. Não sei como foi resolvido. Nosso colega professor Carpintero poderia explicar. Cáceres, Sinop eu vejo também com grande preocupação. São cidades tidas como planejadas mas que cresceram muito e estão no limite desse planejamento iniciai e a perspectiva é de crescer muito mais.. Por isso vejo como fundamental essas cidades criarem estruturas técnicas especializadas em urbanismo destinadas a planejar, acompanhar e gerenciar o crescimento delas de forma a minimizar esse grave problema. Acredito que evitar a expansão da zona urbana densificando a ocupação para diminuir a superfície de captação pluvial. Mas isso é trabalho técnico e de acompanhamento contínuo. Os custos da drenagem são altíssimos e de resultado duvidoso. Como mostra o vídeo, em Campo Novo acabou de ser feita uma obra dessas de 16,0 milhões e foi onde mais inundou. O CAU-MT tem uma política de orientação às prefeituras nesse sentido, nas eleições fez uma carta aos candidatos a prefeitos e vereadores e precisa seguir em frente.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CASARÕES DE BOCAINA - SÃO PAULO

José Antonio Lemos dos Santos

Interessante vídeo recebido do torcedor cuiabanista Paulo Assumpção sobre a Arquitetura Éclética em sua cidade de Bocaina-SP.  Cáceres em Mato Grosso tem uma ama amostragem semelhante. Chegamos lá um dia.

youtube
Ver no link:
                                https://www.youtube.com/watch?v=o-K1UGxVLBY

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A MAIS VIÁVEL DAS FERROVIAS


G1.globo.com

José Antonio Lemos dos Santos

     Este seria meu sétimo artigo com o mesmo título desde a década passada, mas desisti de numerá-los. A mais viável das ferrovias torna-se cada vez mais viável e ainda não está construída a dois anos do trigésimo aniversário de sua concessão pela União. Absurdo! Só não vê quem finge não ver. Enquanto isso todos perdemos ao longo das rodovias incompatíveis com a extraordinária capacidade mato-grossense de produção de cargas, de ida e de volta. 
     Boas notícias recentes sobre o assunto me levam a voltar a ele. Primeiro a reativação pública do importante Fórum Pró-Ferrovia, sob a coordenação de Francisco Vuolo, já com uma reunião (20/01) com o governador Pedro Taques assinando a “Carta de Mato Grosso – Ferrovias”, encaminhada no último dia 26 à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que se comprometeu a avaliar a extensão dos trilhos de Rondonópolis até Cuiabá, e sua continuidade até Sorriso. Cabe destacar que o governador na oportunidade teria vestido a camisa dessa importante continuidade ferroviária, outra desejada e alvissareira notícia, já que nenhum outro governo assumiu de verdade essa causa, depois de Dante de Oliveira. A terceira boa notícia é uma que se repete a cada ano, Mato Grosso, o estado campeão, bate de novo seu próprio recorde na produção agropecuária, consolidando-se como disparado o maior produtor agropecuário nacional e responsável pelos sucessivos saldos na balança comercial brasileira, sem o qual a péssima situação da economia nacional estaria pior ainda.

TvTaquari

     A má notícia é que voltamos a ouvir falar em avaliações, estudos de viabilidade, de traçados e etc. como se tudo estivesse começando agora. Em 2000 assisti pessoalmente à primeira audiência pública do traçado até Cuiabá. Foi no edifício Edgard Arze, presentes também o saudoso senador Vuolo e o atual secretário de Planejamento do estado Guilherme Muller. O traçado proposto pela Ferronorte até Cuiabá estava exposto em pranchas heliográficas no saguão do auditório. Foi tudo discutido e a única restrição oferecida foi que o traçado passava a 700 metros da Reserva Tereza Cristina, próximo, mas fora, rio abaixo. Embora não tenha visto nenhum índio presente, essa restrição acabou levando a um parecer desfavorável da FUNAI, ainda que a empresa aceitasse fazer um traçado mais afastado. De lá para cá foram muitos outros estudos de viabilidade, o último entregue em 2015 pela UFSC apontando a viabilidade e o melhor traçado para a chegada a Cuiabá, tudo pago e recebido pelo estado e também encaminhado à ANTT. Agora, volta a lenga-lenga. Podemos ser bobós, mas nem tanto.
     Na verdade não querem ligar o sul com o norte de Mato Grosso por que querem dividi-lo. Nem por ferrovia, nem por duplicação rodoviária. A trágica problemática logística serve de pretexto para poderosos grupos internos e externos brincarem de geopolítica. Os daqui querem mais cargos políticos. Os de fora dizem que Mato Grosso unido fica muito forte. Assim nos empurram goela abaixo que a FICO de 1200 km é mais prioritária do que a ligação de apenas 460 km entre Rondonópolis e Nova Mutum passando por Cuiabá, sem Himalaias, Xingus, Sapucaís ou Araguaias a vencer. A BR-163 é a espinha dorsal de Mato Grosso e o traçado original da Ferronorte ligando Cuiabá à Santarém ou Miritituba e Porto-Velho consolida essa espinha preservando o poderoso estado unido de Mato Grosso. Querem criar duas economias, a do norte ligada a Goiás, ao invés de se integrá-la à do sul verticalizando a economia com o gás boliviano e a ZPE de Cáceres. Enquanto isso, a economia perde, o meio ambiente é sacrificado e o povo mato-grossense chora o trabalho desperdiçado nas estradas, seus mortos e mutilados.